Caso de sequestro em Águas Lindas de Goiás: carta encontrada durante resgate revela detalhes

Foto: Divulgação/Polícia Militar

Uma carta é encontrada durante o resgate de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, mantida amordaçada e acorrentada pelo ex-companheiro no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Segundo a Polícia Militar, o documento estava com o suspeito, Ailton Rodrigues, no momento da abordagem policial.

O texto, escrito em uma folha de caderno e assinado por Tamara, é endereçado à família da jovem. Nele, são citados bens em nome dela, como um veículo e a escritura de um imóvel, além de um pedido direto: que a polícia não fosse acionada. Um trecho do documento diz ainda: “Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”.

De acordo com o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado de Águas Lindas de Goiás, a análise preliminar indica que a vítima foi forçada a escrever a carta, provavelmente pouco antes da data do resgate. O material já estava no bolso do suspeito quando ele foi detido.

O resgate ocorre na sexta-feira (21), conduzido pela mesma unidade especializada da Polícia Militar. Ailton Rodrigues é preso em flagrante e, segundo a Polícia Civil, confessa ter dopado a ex-companheira com medicamentos antidepressivos antes de levá-la até o local onde ela permaneceu em cativeiro. Ele deve responder pelos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo.

O caso começa a ser apurado após a família registrar o desaparecimento da jovem na segunda-feira (17), dia em que ela foi vista por câmeras de segurança deixando uma clínica no bairro Jardim Barragem I. Nos dias seguintes, o suspeito não é mais visto na região: fecha o próprio estabelecimento comercial, deixa a residência onde morava e abandona os veículos que possuía.

As investigações também identificam um histórico de violência doméstica entre a vítima e o suspeito, elemento que deve ajudar a esclarecer a motivação do crime. Após passar por audiência de custódia neste sábado (22), a prisão de Ailton Rodrigues é mantida pela Justiça. Emiliane Tamara já recebeu alta hospitalar e se encontra em casa.

Foto: Evaristo Sá/AFP

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determina neste domingo (23) que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal tratem como nulas quaisquer emendas parlamentares indicadas por dirigentes de partidos que não ocupam mandato no Congresso, regra que também se estende a ex-parlamentares. A decisão obriga os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), a comunicar formalmente às áreas técnicas legislativas que esses dirigentes não possuem qualquer prerrogativa sobre a distribuição, indicação ou alocação de recursos.

Segundo o ministro, documentos como ofícios, tabelas ou solicitações que atribuam a um presidente de partido ou a um ex-congressista poder de indicação sobre emendas devem ser considerados sem validade jurídica, não podendo embasar a execução de despesas públicas. Dino reforça ainda que o descumprimento dessa determinação pode resultar em apuração de responsabilidade disciplinar, além de eventuais consequências nas esferas penal e civil.

A decisão desta semana dá continuidade a uma movimentação iniciada em julho, quando o ministro exigiu que as legendas com representação no Congresso esclarecessem se seus dirigentes sem mandato participavam da indicação de recursos e como funcionava esse direcionamento para estados e municípios. Dezenove partidos responderam ao questionamento e, de acordo com Dino, as próprias siglas reconheceram que seus presidentes não têm competência formal para esse tipo de indicação.

Solidariedade e Podemos, no entanto, não enviaram resposta dentro do prazo estabelecido. Por isso, Dino concede agora cinco dias para que as duas legendas se manifestem, sob risco de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. As respostas já apresentadas pelas demais siglas — entre elas PT, PL, MDB, PSD, União Brasil, Republicanos e PSDB — serão remetidas à Polícia Federal, responsável por investigar possíveis irregularidades envolvendo verbas de emendas parlamentares.

Todo esse movimento tem origem em uma apuração anterior conduzida por Dino, que resultou no bloqueio de recursos ligados ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Ambos são investigados pela Polícia Federal por supostamente influenciarem a destinação de emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar atualmente. Procurado à época, Valdemar negou ter poder de decisão sobre os recursos, afirmando que apenas costuma sugerir direcionamentos a parlamentares de seu partido.

Como consequência das suspeitas, Dino já havia determinado o bloqueio de R$ 119 milhões vinculados a Valdemar Costa Neto e de R$ 6 milhões associados a Eduardo Cunha, valores que permanecem sob análise no âmbito da investigação sobre o esquema de indicação irregular de emendas.

Foto: Reprodução

A investigação sobre a morte do ex-vereador Farys Miguel Lopes avança para uma nova etapa. Nesta sexta-feira (21), a Polícia Civil do Maranhão prende dois suspeitos de participação no crime durante ação deflagrada no município de Dom Pedro, região que já havia sido palco do assassinato, ocorrido em abril deste ano.

Além das prisões, os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, atendendo a representação formulada pela própria corporação. A operação é coordenada pelo Departamento de Homicídios do Interior, com apoio de equipes vinculadas à Superintendência de Polícia Civil do Interior.

Trata-se da segunda fase das apurações sobre o crime, registrado em 27 de abril deste ano, em Dom Pedro. Com essa nova etapa, a corporação busca avançar na identificação dos possíveis responsáveis por ordenar a execução do ex-vereador, cuja morte gerou forte comoção na cidade à época do enterro.

A corrida presidencial ganha nesta sexta-feira (21) seu primeiro retrato numérico desde a largada oficial das campanhas eleitorais. O instituto Datafolha divulga, no fim da tarde, a pesquisa de intenção de voto encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo, com resultado previsto para depois das 18h40.

O levantamento contempla os treze nomes que constam atualmente no registro do Tribunal Superior Eleitoral, lista que inclui o caso de Pablo Marçal. Lançado às pressas pelo PRTB, o influenciador segue formalmente inelegível e ainda aguarda decisão da Justiça Eleitoral sobre seu pedido de candidatura — situação que não o impediu de sofrer, na véspera, uma série de restrições impostas pelo TSE, como o bloqueio ao fundo eleitoral, ao fundo partidário e à participação em debates e propagandas na televisão.

Além do panorama de primeiro turno, a pesquisa vai simular quatro possíveis embates de segundo turno envolvendo o presidente Lula: contra Flávio Bolsonaro, contra Ronaldo Caiado, contra Romeu Zema e contra Renan Santos. O instituto também vai apurar os índices de rejeição de cada postulante, assim como o grau de aprovação e reprovação da atual gestão federal.

A amostra reúne 2.058 entrevistas aplicadas em todo o território nacional, entre os dias 18 e 20 de agosto, com participantes a partir de 16 anos. A margem de erro fica em dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, sob o registro BR-04496/2026 no TSE.

Esta é apenas uma entre as 130 pesquisas que Globo, GloboNews, g1, O Globo e emissoras afiliadas devem publicar até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, cobrindo não só a disputa presidencial, mas também as corridas ao Senado e aos governos estaduais e do Distrito Federal em todo o país. Os institutos responsáveis pela série de levantamentos são o Datafolha e a Quaest.

Foto: Yasmin Menezes/Nexo Jornal

 

As eleições maranhenses desenham não só uma disputa pela sucessão ao governo, como também o rearranjo de coalizões depois de a maior liderança eleitoral do estado na última década sair de cena. Flávio Dino foi eleito em 2014 e reeleito em 2018 com o mesmo vice, Carlos Brandão (MDB), o que ilustrava a amplitude da aliança necessária para vencer a oligarquia Sarney. Elegeu-se senador em 2022 e garantiu a vitória de Brandão ao governo sob a promessa de que seu ex-secretário de Educação, Felipe Camarão (PT), alçado a vice, assumiria em 2026, enquanto o governador seria candidato ao Senado.

Em 2024, Dino virou ministro do Supremo Tribunal Federal e se ausentou das disputas. O que se viu em seguida foi o esgarçamento das relações entre Brandão e dinistas, abrindo espaço para Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, que aparece como líder nas pesquisas.

Diferentemente de outros estados do Nordeste, onde a concorrência estadual replica a oposição nacional entre petismo e bolsonarismo, o Maranhão tem um histórico de competição entre governismo e oposição ou Sarney versus anti-Sarney. A exceção foi 2022, quando as coalizões estaduais ensaiaram uma nacionalização, com Brandão (então no PSB) apoiado por Lula e Lahesio Bonfim (então no PSC) como representante de Bolsonaro.

A política maranhense chega a 2026 marcada pelo esgotamento da aliança que agregou legendas e lideranças heterogêneas em torno da oposição a Sarney e seus herdeiros e que teve sua força justamente na articulação entre identidades políticas distintas, interesses partidários convergentes e capilaridade territorial. Na ausência de Dino, abriu-se uma fratura por seu legado e condução do bloco. O rompimento entre Brandão e Camarão explicitou esse processo: enquanto o governador operou sua própria sucessão numa lógica familiar, o vice buscou preservar a vinculação com o dinismo e o lulismo.

O conflito não deve ser lido como querela pessoal. Ele expressa uma contenda pelo controle da máquina, pela reconfiguração das alianças partidárias e pela legitimidade para a construção de um novo ciclo político. Esta eleição mostrará o que acontece quando uma coalizão vitoriosa perde a liderança que lhe dava coesão sem estabelecer uma linha sucessória que apazigue conflitos internos.

Esta eleição mostrará o que acontece quando uma coalizão vitoriosa perde a liderança que lhe dava coesão sem estabelecer uma linha sucessória que apazigue conflitos internos.

Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador, tem o desafio de convencer o eleitorado de que há um projeto para além das alianças com prefeituras. A aposta do governo no municipalismo não tem passado de uma capilarização de recursos de maneira fragmentada e a conta-gotas. Ao mesmo tempo, a condição familiar do candidato introduz uma ambiguidade decisiva: se a proximidade pode ser apresentada como garantia de continuidade, ela também pode reforçar a percepção de que a sucessão está excessivamente concentrada em vínculos privados e dinásticos – algo que o Maranhão já experimentou por várias décadas ao longo do século 20.

Felipe Camarão (PT) nos lembra que o tempo é crucial no estabelecimento de coalizões eleitorais. Sua candidatura representa o esforço tardio de preservar uma agenda política de esquerda como alternativa tanto ao grupo governista quanto à oposição de Braide. Essa não é uma tarefa simples e, sob pressões internas e externas, Camarão enfrenta uma tensão entre identidade política e viabilidade eleitoral. A associação com Lula e Dino pode oferecer densidade simbólica e reconhecimento, mas não substitui a construção de uma rede territorial nem a capacidade de dialogar com segmentos eleitorais que não se orientam diretamente por essas referências, principalmente por conta do tempo hábil para se conectar com o eleitorado. A questão é saber se o dinismo ainda tem fôlego para disputas majoritárias ou se virou corrente acessória do Legislativo subnacional.

Eduardo Braide (PSD) chega à disputa estadual combinando a imagem de gestor pragmático e moderado com acenos ao bolsonarismo maranhense. Sua reeleição em São Luís no primeiro turno lhe conferiu uma base eleitoral expressiva e confirmou sua estratégia de governar sem formar uma ampla coalizão partidária. Ao longo de sua trajetória no Executivo, comandou a capital sem uma relação majoritária com vereadores, já que dispunha apenas de 11 das 31 cadeiras da Câmara. Para 2026, tudo indica que o candidato repetirá a fórmula: sustentar um discurso de sobriedade, evitar uma associação direta tanto com Lula como com Bolsonaro e dobrar o apoio do eleitorado conservador.

Já no Senado, temos uma disputa acirrada e até o momento nenhum favoritismo declarado. Com duas vagas, a eleição renova a bancada maranhense em Brasília e reconfigura a formação de alianças, mas desequilibra o pleito majoritário. As candidaturas não podem ser tratadas como simples apêndices das chapas ao governo, pois as composições oficializadas sinalizam um tom pragmático: a chapa de Orleans reúne Weverton Rocha (PDT) e Roseana Sarney (MDB); a de Braide articula André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (agora no Novo); Camarão anunciou Eliziane Gama (PSD) e Enilton Rodrigues (PSOL).

Portanto, o que está em jogo nas mãos do eleitorado maranhense é definir que projeto político terá hegemonia no próximo ciclo. Como a ciência política bem sabe, não há espaço vazio, e a saída de Dino das disputas eleitorais fraturou em definitivo a coalizão que lhe consagrou.

De um lado, o sobrinho do governador numa tentativa de consolidar uma nova dinastia familiar. De outro, o candidato tardio do PT, enfrentando o dilema de um estado que elegeu presidentes petistas, mas nunca elegeu um governador da legenda. E, numa curiosa terceira via, impossível no cenário nacional, o ex-prefeito da capital faz alianças heterodoxas, incluindo de um ex-ministro de Lula a um candidato bolsonarista da última eleição.

As urnas em outubro vão revelar a preferência pelo estabelecimento de uma nova coalizão vencedora, capitaneada pelo centrão, por um arranjo familiar com traços oligárquicos ou pelo renascimento da via progressista que aclamou Dino 12 anos atrás.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/debate/2026/08/14/pesquisa-governo-ma-eduardo-braide-orleans-brandao

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Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A disputa de Weverton Rocha (PDT) por um novo mandato no Senado ganha um obstáculo jurídico. O Ministério Público Eleitoral do Maranhão formaliza um pedido para barrar o registro de candidatura do parlamentar, sob a justificativa de que ele não regularizou débitos junto à Justiça Eleitoral.

O questionamento tem origem em duas sanções financeiras aplicadas ao senador em momentos distintos: a primeira, datada de setembro de 2022, e a segunda, de maio de 2023. Conforme o órgão responsável pela fiscalização eleitoral no estado, apenas uma dessas cobranças foi efetivamente quitada, restando pendente a segunda.

Para o Ministério Público, essa situação compromete um requisito essencial para que qualquer candidato possa concorrer a um cargo eletivo: estar em dia com suas obrigações perante a Justiça Eleitoral. Sem essa regularização, argumenta o órgão, falta ao senador um dos pré-requisitos legais para disputar as eleições.

Agora, cabe ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão analisar o pedido de impugnação em sessão plenária e decidir sobre a permanência ou não da candidatura de Weverton Rocha na disputa.

Até o fechamento desta matéria, a equipe do senador não havia se manifestado sobre o caso.