Eleições de meio de mandato nos EUA: entenda o impacto das “midterms” no governo Trump

Realizadas nesta terça-feira (03) as eleições exatamente na metade do mandato presidencial de quatro anos, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms) funcionam como um termómetro sobre a aprovação da Casa Branca e definem a correlação de forças no Congresso americano.

O que é votado nas urnas? 

O pleito renova posições estratégicas no Poder Legislativo e nos governos estaduais:

Câmara dos Deputados: Todas as 435 cadeiras da Casa são renovadas para mandatos de dois anos;

Senado: Um terço das vagas da câmara alta (35 cadeiras) entra em disputa para mandatos de seis anos;

Governos Estaduais: Eleitores de 36 estados escolhem os seus novos governadores.

Impactos no Governo Donald Trump

O resultado das urnas condiciona diretamente a margem de manobra do Poder Executivo nos dois últimos anos da gestão presidencial:

1. Aprovação da Agenda Legislativa: O controlo de ambas as câmaras pelo Partido Republicano assegura a passagem célere de orçamentos, reformas fiscais e a confirmação de juízes e ministros na máquina pública.

2. Paralisia Política (Gridlock): Caso o Partido Democrata alcance a maioria em pelo menos uma das casas, a oposição adquire o poder de bloquear propostas da Casa Branca e travar projetos de lei prioritários.

3. Poder de Fiscalização: A liderança opositora na Câmara permite a abertura de comissões parlamentares de inquérito e investigações formais sobre atos e decisões do governo federal.

ARLINGTON (United States of America), 25/05/2026.- United States President Donald J Trump delivers remarks in the Amphitheater after laying a wreath at the Tomb of the Unknowns at Arlington National Cemetery on Memorial Day in Arlington, Virginia, USA, 25 May 2026. (Estados Unidos) EFE/EPA/KYLE MAZZA / POOL

 

Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, sendo que mais de 50 milhões de americanos já votaram antecipadamente. Crucial para o presidente Donald Trump, a votação vai renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

Segundo as projeções mais recentes, o Partido Democrata – que faz oposição a Trump – chega à votação como favorito para conquistar a Câmara. Já a disputa para o Senado permanece em aberto, com institutos apontando uma leve vantagem para os democratas.

  • Em disputa estão todas as 435 cadeiras da Câmara, 35 dos 100 assentos do Senado e os governos de 36 estados.
  • Está em jogo o controle do Congresso pelos próximos dois anos, e portanto quanto poder o presidente dos EUA terá no restante de seu mandato;
  • Por ocorrerem no meio do mandato presidencial, as midterms costumam ser lidas como um referendo sobre a aprovação do governo.

👉 Nas eleições de 2024, o Partido Republicano garantiu maioria nas duas Casas do Congresso. Atualmente, o partido do presidente Trump detém 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas (há ainda um deputado independente e duas cadeiras vagas). No Senado, os republicanos também mantêm maioria, com 53 dos 100 assentos.

Lideranças partidárias do Centrão articulam na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar o sistema eleitoral legislativo do país e adotar o voto distrital misto. A movimentação é liderada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio de caciques como Gilberto Kassab (PSD) e Ciro Nogueira (PP), e visa frear a expansão do Partido Liberal (PL).

Nas eleições de 2026, o PL elegeu 121 deputados federais (23,6% do plenário), assumindo a maior bancada da Câmara desde a Constituinte. Em contrapartida, as siglas de centro perderam 22 cadeiras em relação ao pleito de 2022, motivando a busca por regras que limitem a perda de relevância das legendas intermediárias.

Os principais pontos do projeto em negociação preveem:

Funcionamento do modelo: Divisão das vagas de cada Estado entre os candidatos mais votados em distritos geográficos específicos e uma lista fechada predefinida pelos partidos;

Fim dos “puxadores de votos”: Neutralização do efeito de votações expressivas individuais que elegem bancadas maiores via quociente eleitoral proporcional;

Calendário de transição: Aplicação de um modelo transitório em 2030 (com possibilidade de adoção provisória do “distritão”) e implementação definitiva do distrital misto nas eleições de 2034.

A proposta tem como relator designado o deputado Domingos Neto (PSD-CE) e busca adesão do PT. O PL opõe-se às alterações, enquanto alas da oposição e partidos menores apontam riscos de redução da diversidade de representação e vulnerabilidade do formato distrital ao poder econômico e ao crime organizado nos possíveis distritos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma nota no X na qual defendeu sua saída do país, alegou sofrer perseguição judicial e criticou a Rede Globo. Segundo o parlamentar, a emissora desistiu de uma entrevista após ele condicionar sua participação à exibição integral, sem cortes e sem restrição de temas.

“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!”, escreveu. Na publicação, intitulada “Nota ao Brasil”, o senador afirmou que medidas cautelares contra ele foram determinadas apenas sete minutos após o anúncio do resultado da eleição presidencial, na qual foi candidato. Ele classificou os fundamentos da decisão como “mentiras”.

Flávio também relatou ter sido intimado cerca de 12 horas depois, ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao criticar a atuação judicial contra a família, afirmou que não considera o processo justo e imparcial.

Sobre a Globo, o senador disse ter sido procurado para uma entrevista exclusiva, mas afirmou que a emissora preferiu não prosseguir diante das condições apresentadas. Acrescentou que, segundo sua expectativa, o Fantástico exibiria uma reportagem a seu respeito sem lhe assegurar direito de resposta. A publicação não apresenta a versão da emissora sobre as alegações.

Na parte final da nota, Flávio afirmou não se arrepender de sua atuação e anunciou que pretende conversar com grandes veículos nacionais e internacionais nos próximos dias. “Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil”, declarou.

 

O Ministério da Educação (MEC) está reunindo denúncias de violência política ocorrida em instituições de ensino federal durante e após as eleições gerais de 2026.

As informações que chegam por meio da ouvidoria ou diretamente das universidades e institutos federais serão encaminhadas à Polícia Federal e Advocacia-Geral da União (AGU).

A iniciativa foi motivada após ameaças contra as universidades federais, estudantes e docentes circularem nas redes sociais antes do primeiro turno das eleições, ocorrido no dia 4 de outubro.

Na ocasião, o ministério solicitou investigação da Polícia Federal e também acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para que atuasse com a adoção das medidas jurídicas cabíveis.

O MEC divulgou uma nota à impressa na qual informou que foram pedidas providências “diante da gravidade das ameaças de violência e de destruição patrimonial, além da utilização de símbolos nazistas contra as universidades federais, estudantes e docentes reportadas.”

Como os processos de investigação ainda estão em andamento, novas denuncias serão adicionadas ao processo, informou a pasta de Educação.

“O MEC reforça que as instituições de ensino devem ser, por essência, espaços plurais, de tolerância, diálogo e respeito à diversidade de ideias.”

No informativo, representantes do MEC voltaram a repudiar ainda qualquer tipo de ameaça, ofensa ou discriminação no ambiente estudantil e acadêmico, independentemente de sua motivação.

“A Constituição Federal garante o direito à liberdade de expressão e de pensamento, princípios fundamentais para a consolidação da democracia brasileira”, destaca o informe.

A Petrobras anunciou um reajuste médio de 7,2% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com vigência a partir deste domingo (1). O encarecimento representa uma alta de R$ 0,45 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior.

A elevação sucede a alta registrada em outubro, mês em que o insumo utilizado em aviões e helicópteros subiu 11,76%, equivalente a R$ 0,65 por litro.

A estatal responde por cerca de 85% da produção nacional de QAV. Segundo a empresa, a revisão mensal acompanha a alta das cotações internacionais do combustível, impulsionada pelo acirramento das tensões no Oriente Médio e pela redução na capacidade global de refino em decorrência do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Em nota oficial, a companhia afirmou que a aplicação da fórmula paramétrica prevista nos contratos vigentes amortece as oscilações diárias do mercado externo, garantindo reajustes mensais mais moderados. Apesar do mecanismo de amortecimento, dados da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) indicam que o peso do QAV nos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras subiu de 30% para mais de 45% desde o início dos confrontos no Oriente Médio.