- 11 de agosto de 2026
- Por: Redação

A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral deflagraram nesta terça-feira (11) a Operação Omertá, que resultou na prisão de sete pessoas em Sobral, entre elas três vereadores do município. Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União) tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos e foram afastados dos respectivos cargos por um período inicial de 180 dias, conforme decisão judicial. Ao todo, a ação cumpriu 14 mandados de prisão, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar, todos expedidos pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
As investigações, iniciadas em 2024, apontam que o Comando Vermelho cobrava uma espécie de pedágio de candidatos que pretendiam fazer campanha em determinados bairros de Sobral. Segundo o Ministério Público do Ceará, os valores exigidos variavam entre R$ 30 mil e R$ 60 mil, dependendo de o candidato já ocupar ou não um mandato. A facção também é investigada por usar ameaças para interferir na escolha política dos eleitores, incluindo o cancelamento de eventos de campanha após ameaças de morte e de atentados contra pessoas e estabelecimentos ligados à organização dessas atividades.
Carlos Evanilson Oliveira Vasconcelos, o Carlos do Calisto, tem 62 anos, atua politicamente na região do distrito de Jaibaras e trabalha como vaqueiro, com fazendas e criação de gado declaradas à Justiça Eleitoral. Ele foi o vereador mais votado de Sobral em 2024, com 4.176 votos, e já teve passagens por PDT e PSB em eleições anteriores, além de ter ocupado a Secretaria da Conservação e dos Serviços Públicos da cidade em 2021.
Raimundo Nonato do Nascimento, o Junim do Povo, tem 50 anos e foi eleito vereador em 2024 com 1.209 votos pelo Podemos, após ter sido suplente pelo PT em 2020. Já Mário Vicktor Linhares Cavalcante, de 27 anos, é advogado e preside a Comissão de Redação e Justiça da Câmara de Sobral. Eleito pela União Brasil em 2024 com 3.069 votos, ele também havia sido vereador em 2020, então pelo MDB.
Entre os presos na operação está ainda uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo da cidade e é casada com um chefe de organização criminosa em Sobral, também detido. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados pelas autoridades. O presidente da Câmara Municipal, Chico Jóia Júnior, informou que ainda não recebeu a documentação oficial sobre o afastamento dos vereadores e que a Casa deve se manifestar em nota nas próximas horas. Os partidos dos parlamentares presos foram procurados, mas não haviam se posicionado até a última atualização do caso.
- 11 de agosto de 2026
- Por: Redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autoriza uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão. De acordo com a sucursal da TV Globo no estado, Cutrim é apontado pela Polícia Federal como a fonte de informações do jornalista Luís Pablo, que já havia sido alvo de mandado semelhante no início do ano após publicar reportagens sobre o ministro Flávio Dino.
A defesa de Cutrim confirma a relação entre a nova operação e a série de matérias assinadas por Luís Pablo, que tratavam do uso de veículos do Judiciário maranhense pela família de Dino. O advogado do ex-secretário afirma ainda não ter tido acesso ao conteúdo dos autos do processo.
A diligência partiu de pedido da Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República antes de ser autorizada pelo STF.
A decisão repercute entre parlamentares. O senador Flávio Bolsonaro interrompe reunião em seu quartel-general, em Brasília, para manifestar apoio a jornalistas, defendendo o sigilo da fonte como princípio inegociável e alertando para o que classifica como risco à liberdade de imprensa no país. O deputado federal Nikolas Ferreira também se manifesta nas redes sociais, chamando a ação de ataque direto ao trabalho da categoria e pedindo reação da classe jornalística.
O caso tem origem em reportagem publicada por Luís Pablo em novembro, na qual ele mostrava que Dino teria utilizado um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão, custeado com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados, para fins particulares, incluindo o uso por familiares e o pagamento de combustível com dinheiro público. À época, o jornalista foi enquadrado por stalking e incluído no inquérito das fake news, decisão que gerou repúdio de entidades de classe, que apontaram risco de precedente perigoso para o exercício da profissão e para a proteção constitucional ao sigilo de fonte.
- 11 de agosto de 2026
- Por: Redação

Um juiz auxiliar de segunda instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) volta a repercutir nas redes sociais nesta terça-feira (11), um dia depois de aparecer bebendo vinho direto da garrafa e fumando durante uma sessão virtual de julgamento. Milton Lívio Lemos Salles gravou um novo vídeo, enviado a colegas de tribunal, no qual se diz vítima de difamação e nega qualquer irregularidade em sua conduta.
Na gravação, o magistrado afirma ter 36 anos de carreira na magistratura e classifica como difamatória a repercussão das imagens registradas durante a sessão de segunda-feira (10). Ele aparece de bermuda diante da câmera, consumindo bebida alcoólica e fumando enquanto o julgamento acontece, até que os demais participantes suspendem a sessão ao perceberem a situação.
No mesmo vídeo, Salles direciona ataques ao TJMG, ao Superior Tribunal de Justiça, ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, chamando as instituições de corruptas, sem apresentar qualquer prova das acusações. Ele afirma ter conhecimento de irregularidades dentro do próprio tribunal mineiro e se coloca à disposição para debater publicamente o assunto com quem discordar de sua fala.
O comportamento do juiz contraria as normas do Conselho Nacional de Justiça para sessões por videoconferência, que exigem dos magistrados o mesmo padrão de decoro das audiências presenciais, incluindo vestimenta adequada. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional também prevê conduta irrepreensível como dever funcional dos juízes brasileiros.
Diante da repercussão, o TJMG informou ter solicitado apuração imediata e rigorosa dos fatos, com procedimento aberto pela Corregedoria-Geral de Justiça, que deve encaminhar o caso ao Órgão Especial da Corte. A análise está prevista para a sessão de julgamento marcada para o dia 12 de agosto. A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais também anunciou representação contra o magistrado, pedindo seu afastamento cautelar às autoridades competentes.
Procurado, Milton Lívio Lemos Salles informou que não vai se manifestar sobre o caso.
- 11 de agosto de 2026
- Por: Redação

A disputa pela Presidência da República em 2026 já expõe os primeiros embates institucionais entre os pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formaliza no programa de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral críticas ao atual modelo de emendas parlamentares, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforça o discurso de oposição ao Supremo Tribunal Federal, sobretudo contra o ministro Alexandre de Moraes.
No documento entregue ao TSE, o governo Lula classifica as emendas impositivas e o chamado orçamento secreto como uma distorção relevante na construção do orçamento federal. O texto argumenta que esses mecanismos alteraram o equilíbrio entre Executivo e Legislativo e comprometeram a eficiência na destinação dos recursos públicos. Ainda assim, o programa reconhece a atuação conjunta entre governo e Congresso ao longo do mandato e adota um tom menos combativo do que aquele usado pelo PT em 2025, após a derrubada do decreto do IOF pelos parlamentares. Integrantes do Centrão observam que discursos mais duros contra o Legislativo podem reforçar, entre eleitores, a imagem de Lula como candidato de enfrentamento ao sistema político.
O programa também condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da PEC da Segurança, já aprovada na Câmara mas parada no Senado sob o comando de Davi Alcolumbre. O mesmo cenário se repete com a PEC do fim da escala 6×1, outra proposta popular que avançou entre os deputados, mas ainda aguarda votação na Casa alta. Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, revisar o sistema de emendas não representa uma ruptura com o Congresso, mas uma tentativa de recolocar em debate prerrogativas constitucionais que, na avaliação do partido, foram deslocadas para o Legislativo nos últimos anos.
Enquanto Lula direciona suas críticas ao Congresso, Flávio Bolsonaro concentra sua estratégia eleitoral no confronto com o STF. No fim de semana, o senador divulgou um vídeo em que aparece emocionado ao escrever uma carta ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de manter a suspensão das visitas mesmo no Dia dos Pais. Flávio classificou a medida como desumana e injusta, reforçando um discurso que tem sido central entre lideranças bolsonaristas contra a Corte.
Em evento realizado em Itapetininga, no interior de São Paulo, o senador ampliou as críticas ao Supremo e defendeu que futuras indicações para o tribunal recaiam sobre nomes comprometidos com a Constituição e com o uso responsável do dinheiro público. Para esta terça-feira (11), Flávio também articula encontros com candidatos ao Senado alinhados à direita, em Brasília, movimento que ganha relevância diante do papel exclusivo da Casa em processos de impeachment de ministros do STF.
- 10 de agosto de 2026
- Por: Redação

Uma atriz negra ocupa o centro das telas do Cinema Sesc a partir desta terça-feira, 11 de agosto. A mostra “Retrospectiva Brasil: Zezé Motta” reúne quatro produções que atravessam seis décadas de carreira e revisitam o papel da artista na construção de uma nova imagem de protagonismo no cinema brasileiro.
A programação inclui os longas “Xica da Silva” e “Quilombo”, ambos dirigidos por Cacá Diegues, além dos curtas “Zezé Motta, La Femme Enchantée” e “Deixa”. Em “Xica da Silva”, a atriz interpreta a mulher escravizada que, no Distrito Diamantino do século XVIII, conquista posição de destaque ao se envolver com o representante da Coroa Portuguesa, o que desperta disputas de poder na colônia. Já em “Quilombo”, ela integra a narrativa sobre Ganga Zumba e Zumbi na resistência do Quilombo dos Palmares.
Os curtas completam o panorama da retrospectiva. “Zezé Motta, La Femme Enchantée” acompanha a projeção internacional da artista, enquanto “Deixa” registra sua atuação em produções audiovisuais recentes.
A abertura da mostra, nesta terça, traz a exibição do documentário “Zezé Motta, La Femme Enchantée” seguida de um debate com as atrizes Brena Maria e Lúcia Gato, com mediação de Amanda Drumont. A conversa aprofunda temas como a luta contra o racismo e a valorização da identidade negra presentes na trajetória da homenageada.
A homenagem integra as celebrações dos 80 anos do Sesc, completados em 2026, com data oficial marcada para 13 de setembro. Zezé Motta também estrela a campanha institucional da instituição neste aniversário.
Serviço
Retrospectiva Brasil: Zezé Motta
Sessão de abertura: terça-feira, 11 de agosto, às 19h
Local: Cinema Sesc Deodoro
Entrada gratuita, com ingressos retirados na portaria do Sesc Deodoro
- 10 de agosto de 2026
- Por: Redação

O Tribunal de Justiça do Tocantins prorroga por mais 90 dias o afastamento da prefeita de Praia Norte, Bruna Gabrielle Neves Pires de Araújo. A decisão sai nesta segunda-feira (10), justamente no dia em que venceria o prazo do afastamento inicial, determinado em maio pela Justiça em uma ação civil pública por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Quem assina a nova decisão é o desembargador Márcio Barcelos Costa, em plantão de segunda instância, atendendo a um pedido do próprio Município para que a medida continuasse valendo. Segundo o magistrado, o período em que Bruna ficou afastada permitiu que a administração interina identificasse novos elementos, hoje sob apuração, sobre possível prejuízo aos cofres públicos.
Entre os pontos analisados está o Contrato nº 72/2025, destinado à pavimentação em bloquetes. O ajuste previa 930 metros de obra por R$ 1.089.315,00, valor depois alterado por aditivo. Levantamentos técnicos preliminares indicam que apenas cerca de 230 metros teriam sido executados, pouco mais de um quarto do total contratado, enquanto os pagamentos já realizados somam R$ 780.717,72, mais de 70% do valor original. Essa diferença entre o que foi pago e o que foi entregue pesa entre os fatores que levaram à extensão do afastamento.
O desembargador faz questão de frisar que os dados ainda estão em análise e não autorizam, neste momento, nenhuma conclusão sobre improbidade, dano ao erário ou responsabilidade pessoal da prefeita.
Outro argumento usado na decisão é o risco de interferência nas investigações caso Bruna retome o comando da Prefeitura, já que voltaria a ter acesso direto à estrutura administrativa, a documentos e a servidores ligados aos fatos apurados. Para o TJTO, manter o afastamento neste momento preserva a produção de provas. O Ministério Público do Tocantins também se posicionou a favor da prorrogação.
O afastamento de Bruna havia começado em 12 de maio, por determinação da 1ª Vara da Comarca de Augustinópolis, com prazo inicial de 90 dias. Agora ele se estende por mais três meses, sem impacto na remuneração da prefeita.
A decisão judicial coincide com um protesto de moradores em frente à sede da Prefeitura. O grupo defendeu a manutenção do afastamento e cobrou da Câmara Municipal andamento nos pedidos de impeachment que tramitam contra Bruna, além de levantar queixas sobre a gestão do município, entre elas supostos atrasos no pagamento de servidores. Também nesta segunda-feira estava prevista a oitiva de Bruna pela Câmara, dentro dos procedimentos político-administrativos abertos contra ela.
Por se tratar de decisão cautelar, a prorrogação do afastamento não representa condenação, perda definitiva de mandato ou reconhecimento das irregularidades investigadas. As apurações seguem em curso e ainda passarão pelas etapas previstas em lei.
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