
Lula desembarcou em Salvador neste sábado (1º/8) para dar seu aval público à chapa que o PT monta para disputar a Bahia em outubro. O gesto não é trivial: a convenção baiana aconteceu na véspera do encontro nacional do partido em São Paulo, que deve confirmar a própria candidatura de Lula à reeleição, um sinal de que o presidente está disposto a gastar capital político em praças estratégicas antes mesmo de cuidar da sua própria campanha.
O evento, realizado no Parque de Exposições da Bahia a partir das 9h, reuniu dirigentes partidários, prefeitos, ministros e militantes em torno da chapa comandada por Jerônimo Rodrigues. O governador, que busca renovar o mandato ao lado do vice Geraldo Júnior (MDB), discursou associando sua candidatura à continuidade das políticas sociais, com foco em geração de oportunidades, atendimento a populações vulneráveis e políticas para a juventude.
A grande novidade em relação a convenções anteriores foi a presença simultânea dos dois nomes petistas ao Senado: Jaques Wagner, que governou a Bahia entre 2007 e 2014 e tenta a reeleição, e Rui Costa, governador entre 2015 e 2022, que disputa pela primeira vez uma cadeira na Casa. Em seu discurso, Jerônimo reforçou a meta da base aliada: entregar três senadores a Lula em 2026, citando nominalmente Otto Alencar, Rui Costa e o próprio Jaques Wagner.
O clima de confraternização partidária, no entanto, conviveu com um pano de fundo delicado. Poucas horas antes do ato, o ministro do STF André Mendonça retirou o sigilo da investigação contra Wagner, revelando ao menos 74 ligações telefônicas entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master, registradas entre novembro de 2023 e maio de 2025. Foi justamente por causa dessa apuração da Polícia Federal que Wagner deixou, após buscas realizadas em 18 de junho, a liderança do governo Lula no Senado, um movimento para reduzir o desgaste na campanha do partido.
Mesmo sob esse cenário, Lula optou por reafirmar publicamente o apoio ao aliado histórico. Segundo relatos do próprio evento, o presidente chegou a dizer que “nem todo irmão é amigo, mas todo amigo é um irmão” em referência a Wagner, buscando blindar politicamente o senador diante do desgaste da investigação. A fala resume a estratégia petista na Bahia: não recuar do apoio aos nomes historicamente ligados ao partido, mesmo em meio a turbulências jurídicas.
Do ponto de vista eleitoral, o ato também serviu para amarrar a base estadual antes do prazo de registro das candidaturas. Após a convenção, os partidos terão até 15 de agosto para formalizar os nomes perante a Justiça Eleitoral, o que torna a presença de Lula um empurrão simbólico decisivo para uma disputa que já se desenha acirrada entre governistas e a oposição liderada por ACM Neto na corrida pelo Palácio de Ondina.
