
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre do ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) havia avançado 1,1%. Em valores correntes, o país movimentou R$ 3,4 trilhões no período.
O destaque do trimestre ficou por conta da Agropecuária, que registrou expansão de 2,8% e puxou o desempenho geral da economia. Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, os setores de Serviços e Indústria também apresentaram crescimento, ainda que em ritmo bem mais discreto, de 0,2% e 0,1%, respectivamente. Na comparação anual, a Agropecuária avançou 6,8%, impulsionada pelo bom desempenho da pecuária e por ganhos de produtividade em diversas culturas agrícolas, com destaque para a alta de 15,1% na produção de café e de 5,3% na soja.
Pelo lado da demanda, os investimentos cresceram 1,2% e o consumo do governo teve alta de 0,4% no trimestre. Já o consumo das famílias recuou 0,4%, movimento que chamou atenção diante do avanço da massa salarial real e da expansão do crédito para pessoas físicas registrados no período. De acordo com Moraes, no entanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre o aumento da renda e do crédito e o comportamento do consumo das famílias, já que outros fatores, como juros e câmbio, também influenciam esse indicador.
Na Indústria, o resultado positivo foi sustentado principalmente pelas Indústrias Extrativas, que cresceram 3,4% no trimestre e 12% na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionadas pelo aumento da extração de petróleo e gás. Já a Construção e a Indústria de Transformação recuaram 0,4% cada uma na comparação trimestral. No setor de Serviços, o maior avanço veio de Informação e Comunicação, com alta de 2,1% no trimestre e de 8,4% no acumulado anual, enquanto Administração, defesa, saúde e educação públicas registrou queda de 0,4%.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os grandes setores, a Agropecuária liderou a expansão, com alta de 3,6%, seguida pelos Serviços, que cresceram 1,8%, e pela Indústria, com avanço de 1,6%. Do lado da demanda, o Consumo das Famílias aumentou 1,1% no semestre e o Consumo do Governo teve alta de 2,9%, enquanto os investimentos permaneceram estáveis.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB brasileiro acumulou crescimento de 2%. O IBGE reforçou que a Agropecuária segue como o setor de maior dinamismo na economia neste ano, enquanto Serviços e Indústria mantêm trajetória de crescimento mais moderado, refletindo um cenário de desaceleração gradual da atividade econômica nacional.
