Áudio de Vorcaro sobre filme de Lula é negado por PF, PGR e defesa

A divulgação de gravações atribuídas a Daniel Vorcaro, banqueiro preso pelo escândalo do Banco Master, implodiu a campanha de Lula e deu gás para oposição. O áudio o cita um suposto repasse não contabilizado para um documentário sobre o presidente Lula do PT.

O caso, porém, gerou manifestações imediatas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e da própria defesa do empresário, que desmentiram a existência de depoimento formal e apontaram a ausência de provas sobre as alegações.

O que diz a matéria da Veja

A controvérsia ganhou repercussão após reportagem da revista Veja publicar trechos de áudios e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a publicação, as gravações e anexos fariam parte de uma proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro à Procuradoria-Geral da República em junho passados.

Na reportagem, a revista detalha que Vorcaro teria relatado o repasse de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, gerido por Paulo Okamotto, com o objetivo de financiar o documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone e lançado no Festival de Cannes. De acordo com a Veja, os valores em espécie teriam sido exigidos em acertos intermediados pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto como contrapartida para garantir o credenciamento e aportes do Banco Master junto a fundos de pensão estatais, como Previ, Caixa Asset e recursos do Banco do Brasil.

O teor do áudio veiculado

No material em áudio veiculado pela imprensa, a voz atribuída ao empresário faz menção direta às negociações e compara os repasses:

“Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula.”

Em outro momento do registro, o interlocutor acrescenta:

“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais. Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado.”

Desmentido oficial da Polícia Federal e da PGR

Apesar da repercussão do conteúdo publicado pela revista, as principais autoridades responsáveis por investigações no país contestaram a versão de que as declarações façam parte de um procedimento oficializado. Em nota à imprensa, a Polícia Federal informou que Daniel Vorcaro nunca prestou depoimento aos delegados da corporação para relatar tais fatos ou entregar documentos comprobatórios.

Da mesma forma, a Procuradoria-Geral da República confirmou que jamais ouviu o empresário presencialmente sobre o tema. A PGR esclareceu que propostas preliminares de colaboração premiada apresentadas no passado foram descartadas e não avançaram justamente pela ausência de um conjunto probatório mínimo. Análises preliminares nas mídias e nos equipamentos apreendidos com o empresário também não identificaram mensagens ou registros financeiros que confirmem a transferência dos R$ 30 milhões.

Posição da defesa e dos citados

A defesa de Daniel Vorcaro, representada pelo advogado Daniel Bialski, foi categórica ao rebatê-los. Em posicionamento oficial, os advogados afirmaram desconhecer o áudio veiculado e ressaltaram que jamais tiveram acesso a esse arquivo nos autos. A defesa reiterou que o empresário não prestou oitiva formal à PF ou à PGR sobre negociações informais relativas a obras audiovisuais e que suas manifestações jurídicas sempre ocorreram dentro das vias legais.

O Governo Federal, o Instituto Lula e os citados nas gravações negaram veementemente as acusações. Em nota, a articulação da campanha e os representantes do presidente classificaram a denúncia como farsa sem provas e afirmaram que Lula nunca solicitou ou recebeu vantagens indevidas do Banco Master. Os produtores do documentário e aliados também declararam que a obra não contou com financiamentos irregulares de origem não contabilizada.

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