
Lideranças partidárias do Centrão articulam na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar o sistema eleitoral legislativo do país e adotar o voto distrital misto. A movimentação é liderada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio de caciques como Gilberto Kassab (PSD) e Ciro Nogueira (PP), e visa frear a expansão do Partido Liberal (PL).
Nas eleições de 2026, o PL elegeu 121 deputados federais (23,6% do plenário), assumindo a maior bancada da Câmara desde a Constituinte. Em contrapartida, as siglas de centro perderam 22 cadeiras em relação ao pleito de 2022, motivando a busca por regras que limitem a perda de relevância das legendas intermediárias.
Os principais pontos do projeto em negociação preveem:
Funcionamento do modelo: Divisão das vagas de cada Estado entre os candidatos mais votados em distritos geográficos específicos e uma lista fechada predefinida pelos partidos;
Fim dos “puxadores de votos”: Neutralização do efeito de votações expressivas individuais que elegem bancadas maiores via quociente eleitoral proporcional;
Calendário de transição: Aplicação de um modelo transitório em 2030 (com possibilidade de adoção provisória do “distritão”) e implementação definitiva do distrital misto nas eleições de 2034.
A proposta tem como relator designado o deputado Domingos Neto (PSD-CE) e busca adesão do PT. O PL opõe-se às alterações, enquanto alas da oposição e partidos menores apontam riscos de redução da diversidade de representação e vulnerabilidade do formato distrital ao poder econômico e ao crime organizado nos possíveis distritos.


