Uma série de mensagens trocadas por aplicativo de mensagens revelou um momento de forte tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Kassio Nunes Marques bloqueou o decano Gilmar Mendes no WhatsApp após ser cobrado expressamente a se declarar suspeito em julgamentos da Corte e ouvir declarações de que deveria “assumir que está ferrado”.
O atrito entre os magistrados teve como pano de fundo as investigações do caso Master, que envolvem citados como Kevin Marques, filho de Kassio, e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. Nas conversas ocorridas na semana passada, Gilmar Mendes defendeu que ambos os colegas se declarassem impedidos de atuar nos processos antes da sessão realizada na última terça-feira (15).
Durante a troca de mensagens, Kassio Nunes Marques rebateu as cobranças do decano exigindo respeito, ao passo que Gilmar insistiu para que o magistrado abrisse suas contas e deixasse também a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após declarações de Gilmar sugerindo o envolvimento de familiares em irregularidades, Kassio encerrou a conversa e bloqueou o colega. Na sessão de terça-feira, o presidente do TSE declarou-se impedido de julgar os elos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Além do embate com Nunes Marques, Gilmar Mendes também protagonizou uma discussão ríspida com o ministro Luiz Fux. O contexto do desentendimento foi o julgamento na Segunda Turma em que se formou maioria para manter a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — medida que foi posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino.
Gilmar acusou Fux de falta de postura institucional por supostamente combinar a antecipação de votos com Kassio logo após o pedido de vista na sessão virtual. Em resposta, Fux afirmou que ninguém lhe diz como agir e pediu para não ser incomodado.
As tensões no STF ocorrem em meio a relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam atuações controversas no âmbito das investigações. Segundo os documentos, o ministro André Mendonça teria ignorado indícios envolvendo o ministro Dias Toffoli e o filho de Nunes Marques, enquanto cobrava agilidade em apurações referentes a outros integrantes da Corte e demonstrava ritmos distintos na análise de pedidos envolvendo aliados do governo e membros da oposição.
Outros desdobramentos oficiais sobre eventuais representações disciplinares ou declarações formais dos gabinetes dos ministros envolvidos não foram divulgados.


