
O ministro Edson Fachin foi o único integrante do STF presente ao desfile de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ele acompanhou a cerimônia ao lado do presidente Lula e dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta. Também compuseram a tribuna de honra o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do governo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outras autoridades.
Apesar do convite estendido, como é tradição, a todos os ministros da Corte, nenhum outro integrante do tribunal esteve presente. Alexandre de Moraes, que participara do desfile em 2024, ficou fora da cerimônia deste ano. Gilmar Mendes e Flávio Dino estavam fora de Brasília, e Cristiano Zanin também não compareceu.
A ausência majoritária do Supremo ocorre poucos dias após o agravamento da crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, que colocou Moraes e André Mendonça em rota de colisão pública. Fachin, que assumiu a análise dos procedimentos derivados desse embate, representou a Corte isoladamente no evento.
O cenário de baixa presença já havia se repetido em 2025, quando nenhum ministro participou da cerimônia, realizada na mesma semana do início do julgamento de Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe. Em 2024, por outro lado, seis ministros estiveram na tribuna, incluindo o então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, além de Moraes, Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Zanin. Em 2023, a então presidente Rosa Weber também havia comparecido.
Mesmo com a lacuna deixada pelos demais ministros, os chefes dos Três Poderes permaneceram reunidos na primeira fila da tribuna de honra durante toda a cerimônia, que celebrou os 204 anos da Independência sob três eixos temáticos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, sediada no Brasil. O evento coincidiu com manifestações de grupos de direita em diversas cidades do país, que incluíram críticas ao Supremo e pedidos de impeachment de Moraes — pauta que ganhou força após os últimos desdobramentos do caso Master.
O atrito entre os dois ministros começou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens e registros de contato entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Dias depois, Moraes levou a Fachin acusações de possíveis irregularidades na condução das investigações sobre os casos Master e INSS por parte de Mendonça. A Procuradoria-Geral da República já havia contestado a apuração que originou o relatório, e Fachin abriu procedimento próprio, solicitando esclarecimentos aos envolvidos. No domingo (6), Mendonça liberou o caso das mensagens entre Moraes e Vorcaro para julgamento em plenário, que ainda depende de pauta a ser definida por Fachin.
