
A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral deflagraram nesta terça-feira (11) a Operação Omertá, que resultou na prisão de sete pessoas em Sobral, entre elas três vereadores do município. Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União) tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos e foram afastados dos respectivos cargos por um período inicial de 180 dias, conforme decisão judicial. Ao todo, a ação cumpriu 14 mandados de prisão, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar, todos expedidos pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
As investigações, iniciadas em 2024, apontam que o Comando Vermelho cobrava uma espécie de pedágio de candidatos que pretendiam fazer campanha em determinados bairros de Sobral. Segundo o Ministério Público do Ceará, os valores exigidos variavam entre R$ 30 mil e R$ 60 mil, dependendo de o candidato já ocupar ou não um mandato. A facção também é investigada por usar ameaças para interferir na escolha política dos eleitores, incluindo o cancelamento de eventos de campanha após ameaças de morte e de atentados contra pessoas e estabelecimentos ligados à organização dessas atividades.
Carlos Evanilson Oliveira Vasconcelos, o Carlos do Calisto, tem 62 anos, atua politicamente na região do distrito de Jaibaras e trabalha como vaqueiro, com fazendas e criação de gado declaradas à Justiça Eleitoral. Ele foi o vereador mais votado de Sobral em 2024, com 4.176 votos, e já teve passagens por PDT e PSB em eleições anteriores, além de ter ocupado a Secretaria da Conservação e dos Serviços Públicos da cidade em 2021.
Raimundo Nonato do Nascimento, o Junim do Povo, tem 50 anos e foi eleito vereador em 2024 com 1.209 votos pelo Podemos, após ter sido suplente pelo PT em 2020. Já Mário Vicktor Linhares Cavalcante, de 27 anos, é advogado e preside a Comissão de Redação e Justiça da Câmara de Sobral. Eleito pela União Brasil em 2024 com 3.069 votos, ele também havia sido vereador em 2020, então pelo MDB.
Entre os presos na operação está ainda uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo da cidade e é casada com um chefe de organização criminosa em Sobral, também detido. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados pelas autoridades. O presidente da Câmara Municipal, Chico Jóia Júnior, informou que ainda não recebeu a documentação oficial sobre o afastamento dos vereadores e que a Casa deve se manifestar em nota nas próximas horas. Os partidos dos parlamentares presos foram procurados, mas não haviam se posicionado até a última atualização do caso.
