Braide lidera pesquisa no Maranhão ao surfar racha na base de Flávio Dino, avalia cientista política

Eduardo Braide e Orleans Brandão – fotos: Divulgação/Prefeitura de São Luís e Raillen Martins/Palácio dos Leões

O favoritismo de Eduardo Braide (PSD) na corrida ao governo do Maranhão não decorre principalmente do escândalo que atinge o atual governador, Carlos Brandão (MDB). Segundo avaliação da cientista política Ananda Marques, doutoranda em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), o que sustenta a liderança do ex-prefeito de São Luís é a sua capacidade de capitalizar politicamente a divisão dentro do grupo aliado a Flávio Dino, ex-governador do estado e atual ministro do Supremo Tribunal Federal.

Uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (24) mostra Braide à frente da disputa, com 44% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador, com 25%. Completam a lista Felipe Camarão (PT), com 6%; Roberto Rocha (PRTB), com 3%; e André Luís (Missão), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram, cenário que indicaria vitória de Braide já no primeiro turno.

A fragmentação observada tem raízes na trajetória política de Flávio Dino, que governou o Maranhão entre 2015 e 2022 tendo Carlos Brandão como vice em ambos os mandatos. Brandão, por sua vez, venceu a eleição de 2022 com Felipe Camarão na chapa. Orleans Brandão e Camarão representam, assim, duas ramificações distintas da base que antes era unificada sob o chamado “dinismo” — uma divisão que abriu espaço para a candidatura de Braide se apresentar como alternativa de terceira via.

Para Ananda Marques, parte do sucesso de Braide está na forma como ele constrói sua imagem pública. “Ele se apresenta como alguém que consegue convencer o eleitorado de que é independente, apesar de ser de uma família de políticos. Ele consegue se descolar disso e vender uma figura de bom gestor”, afirma a pesquisadora. Diferentemente dos candidatos ligados a Brandão, o ex-prefeito evita criticar publicamente Dino — estratégia que ajudaria a atrair eleitores tanto de direita quanto de esquerda.

Os números da pesquisa Quaest revelam, porém, um dado aparentemente contraditório: enquanto o candidato do PT, Felipe Camarão, soma apenas 6% das intenções de voto, 54% do eleitorado maranhense afirma preferir que o próximo governador seja aliado do presidente Lula (PT) — partido que nunca venceu uma eleição para o governo do estado. Segundo Ananda Marques, o Maranhão historicamente rejeita a nacionalização do embate entre petismo e antipetismo, configurando-se como um eleitorado mais lulista do que petista. É por isso que Camarão aposta em associar sua imagem à do presidente nos 40 dias que restam até o primeiro turno — Lula lidera as intenções de voto no estado com 58%, contra 20% de Flávio Bolsonaro (PL).

Já o escândalo que atinge diretamente o governador Carlos Brandão — que começou como uma suposta perseguição a um blogueiro maranhense e se transformou em investigação sobre um possível esquema de corrupção, chegando a ser descrito em relatório parcial da Polícia Federal como uma organização criminosa com Brandão na liderança — ainda não afetou sua popularidade, segundo a cientista política. A pesquisa Quaest mostra que 54% do eleitorado aprova a gestão do governador, que nega as acusações de comandar um esquema de desvio de emendas e envolvimento em assassinato. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria de Flávio Dino, hoje apontado como desafeto do emedebista.

*Com informações do Blog Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *