Corrida ao Planalto acirra disputa entre Lula e Congresso, enquanto Flávio intensifica ataques ao STF

Foto: Gazeta do Povo

A disputa pela Presidência da República em 2026 já expõe os primeiros embates institucionais entre os pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formaliza no programa de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral críticas ao atual modelo de emendas parlamentares, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforça o discurso de oposição ao Supremo Tribunal Federal, sobretudo contra o ministro Alexandre de Moraes.

No documento entregue ao TSE, o governo Lula classifica as emendas impositivas e o chamado orçamento secreto como uma distorção relevante na construção do orçamento federal. O texto argumenta que esses mecanismos alteraram o equilíbrio entre Executivo e Legislativo e comprometeram a eficiência na destinação dos recursos públicos. Ainda assim, o programa reconhece a atuação conjunta entre governo e Congresso ao longo do mandato e adota um tom menos combativo do que aquele usado pelo PT em 2025, após a derrubada do decreto do IOF pelos parlamentares. Integrantes do Centrão observam que discursos mais duros contra o Legislativo podem reforçar, entre eleitores, a imagem de Lula como candidato de enfrentamento ao sistema político.

O programa também condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da PEC da Segurança, já aprovada na Câmara mas parada no Senado sob o comando de Davi Alcolumbre. O mesmo cenário se repete com a PEC do fim da escala 6×1, outra proposta popular que avançou entre os deputados, mas ainda aguarda votação na Casa alta. Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, revisar o sistema de emendas não representa uma ruptura com o Congresso, mas uma tentativa de recolocar em debate prerrogativas constitucionais que, na avaliação do partido, foram deslocadas para o Legislativo nos últimos anos.

Enquanto Lula direciona suas críticas ao Congresso, Flávio Bolsonaro concentra sua estratégia eleitoral no confronto com o STF. No fim de semana, o senador divulgou um vídeo em que aparece emocionado ao escrever uma carta ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de manter a suspensão das visitas mesmo no Dia dos Pais. Flávio classificou a medida como desumana e injusta, reforçando um discurso que tem sido central entre lideranças bolsonaristas contra a Corte.

Em evento realizado em Itapetininga, no interior de São Paulo, o senador ampliou as críticas ao Supremo e defendeu que futuras indicações para o tribunal recaiam sobre nomes comprometidos com a Constituição e com o uso responsável do dinheiro público. Para esta terça-feira (11), Flávio também articula encontros com candidatos ao Senado alinhados à direita, em Brasília, movimento que ganha relevância diante do papel exclusivo da Casa em processos de impeachment de ministros do STF.

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