Operação Sem Desconto também mira prefeito Fred Campos e Erlânio Xavier, aliado de Weverton Rocha

Foto: Folha de São Paulo

Depois de o senador Weverton Rocha (PDT-MA) ter sido o primeiro nome maranhense atingido nesta nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4/8), veio à tona que a mesma ação também alcançou outros dois políticos do estado: o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, e o pré-candidato a deputado federal Erlânio Xavier, aliado de primeira hora de Weverton dentro do PDT. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e cumpridos em endereços no Distrito Federal e no Maranhão, dentro da investigação que apura fraudes em descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.

Fred Campos teve endereços alcançados pelos agentes federais nesta manhã. Não é a primeira vez que o prefeito entra na mira da corporação: em agosto de 2024, ainda como candidato à prefeitura, ele já havia sido alvo da Operação 18 Minutos, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais dentro do Judiciário maranhense. Naquela ocasião, mandados de busca também atingiram familiares dele e uma empresa ligada ao grupo econômico da família.

Erlânio Xavier, por sua vez, teve a própria residência alvo de busca e apreensão. Pré-candidato a deputado federal, ele conta com toda a estrutura política de Weverton Rocha para sua candidatura e é apontado como um dos principais nomes do senador dentro do partido. Até o momento não há confirmação oficial sobre o que motivou especificamente a diligência contra ele, mas nos bastidores da política maranhense já se especula que a ação possa estar relacionada às apurações sobre a movimentação financeira do grupo político e empresarial ligado a Weverton.

Segundo a Polícia Federal, as buscas desta fase têm como foco identificar movimentações financeiras e patrimoniais suspeitas, supostamente realizadas por meio de laranjas, contas de terceiros, empresas de fachada e operações em espécie, usadas para esconder a origem e o destino de recursos ligados ao esquema. Os agentes buscam apreender documentos e equipamentos eletrônicos que ajudem a esclarecer o grau de participação de cada um dos investigados, entre eles o advogado Willer Tomaz, que nega qualquer envolvimento e afirma ter sido incluído na operação apenas por ser dono do avião usado pelo senador em uma viagem particular já conhecida publicamente.

A movimentação desta terça-feira não é isolada. Em dezembro de 2025, Weverton Rocha já havia sido alvo de mandado em outra fase da mesma operação, quando a PF o apontou como possível beneficiário de recursos desviados e como figura próxima dos negócios de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como peça central do esquema. Em julho deste ano, a corporação também havia mirado Antunes, apreendendo veículos de luxo para limitar seu acesso a recursos financeiros.

O caso é um desdobramento das investigações sobre os descontos irregulares aplicados a beneficiários do INSS, escândalo que ganhou escala durante o governo Bolsonaro e passou a ser apurado pela Polícia Federal após autorização do presidente Lula. Atualmente, 18 pessoas ligadas ao esquema já estão presas. Nesta nova etapa, a PF concentra esforços em rastrear como parte desses recursos desviados dos aposentados teria sido movimentada e lavada por meio de estruturas empresariais e políticas, o que explica por que o cerco da operação passou a alcançar não apenas quem participava diretamente das fraudes, mas também nomes com influência política e financeira no Maranhão.

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